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Auckland Nova Zelândia
Pode soar esquisito, mas é a pura verdade: para grande
parte dos quase 2 milhões de turistas que desembarcaram na Nova Zelândia
no ano passado, o auge da viagem foi o momento em que gritaram. Não um
grito qualquer, mas um grito de entusiasmo misturado com pavor, após
saltarem do bungee jump de 102 metros de altura, em Queenstown, uma das
cidades mais visitadas do país. Contudo, despencar de uma ponte com um
elástico amarrados nos pés é apenas uma das incontáveis razões que
vêm fazendo da terra natal de Russel Crowe - vencedor do Oscar de melhor
ator com o épico Gladiador - um dos destinos turísticos mais procurados
do planeta.
Com apenas 3,8 milhões de habitantes, a Nova Zelândia
- localizada a cerca de 1.600 quilômetros a sudeste da Austrália - tem
um território aproximadamente do tamanho do Japão. A diferença
fundamental é que, mesmo pequenas, as duas principais ilhas que compõem
o país - do Norte e do Sul - conseguem reunir paisagens de beleza
desconcertante, qualidade de vida e infra-estrutura turística de Primeiro
Mundo, um povo hospitaleiro e aventura, muita aventura.
Até experimentar a altíssima dose de adrenalina, é
preciso paciência para enfrentar as cerca de 15 horas de viagem - o vôo
parte de Buenos Aires - até a Nova Zelândia e o fuso horário de 15
horas à frente do Brasil. Superado esse início desgastante, é hora de
desvendar as maravilhas da terra dos kiwis - nome de um esquisito pássaro
nativo que os neozelandeses adotaram para designar a si próprios.
Antes de viajar, é interessante informar-se sobre o
que cada cidade oferece de melhor, sejam esportes radicais, passeios em
parques ou alternativas de programas noturnos. Entre as cidades que
oferecem o maior número de opções estão Auckland, Rotorua, Queenstown
e Christchurch, estas duas últimas situadas na Ilha do Sul. Auckland é a
cidade mais cosmopolita e populosa do país, com 356 mil habitantes, e
possui uma intensa vida cultural, além de vastos parques naturais e
cachoeiras.
É bom saber também como está o clima por lá, já
que as estações são bem definidas. Ou seja, no verão (entre dezembro e
março, como o nosso) a temperatura é agradável, oscilando entre 25 e 30
graus. No inverno, até as ovelhas batem queixo: o termômetro chega a
marcar 15 graus negativos. Só para lembrar, a Nova Zelândia fica a um
pulo da Antártida.
Mosaico geográfico - Não é só a temperatura que
varia radicalmente no país. No percurso entre uma e outra cidade da Nova
Zelândia, há várias amostras do contrastante e diversificado mosaico
geográfico local. A paisagem transforma-se a todo momento: enormes lagos
emoldurados por cadeias de montanhas dão lugar a geleiras, rios
cor-de-esmeralda, intermináveis vales ou praias com águas cristalinas.
São nesses cenários onde os mais corajosos encaram
esportes radicais como bungee jumping, rafting, alpinismo, sledging
(emocionante descida de corredeiras sobre uma pequena prancha),
pára-quedismo, paraglider, mountain bike e mergulho, que deram à Nova
Zelândia fama de capital internacional da aventura. Há ainda passeios em
cavernas, em balões, em lanchas a quase 100 quilômetros por hora e
algumas das caminhadas mais fantásticas do mundo, além de golfe,
pescaria e esqui, entre outros. Antes de fazer tudo isso, é recomendável
que você visite seu médico. Certas atividades, como o alpinismo, o
sledging e a mountain bike, exigem fôlego de triatleta.
Há muito a ser descoberto nesse paraíso do outro lado
do planeta. Algumas vezes essas descobertas não passam de fatos curiosos.
Por exemplo:
provavelmente, você nunca mais verá tantas ovelhas
num mesmo lugar. São 55 milhões espalhadas pelo país. Fazendo as
contas, dá uma média de 14 animais para cada habitante. Há igualmente
muitas vacas - cerca de 25 milhões. No fim da viagem, você vai olhar
para os bichos como se fizessem parte da paisagem, tal qual uma pedra ou
uma árvore.
Ovelhas e vacas à parte, o que mais chama a atenção
na Nova Zelândia é a harmonia entre as riquezas naturais e a excelente
infra-estrutura turística das cidades. As cidades adaptaram-se à
natureza, não o contrário. É invejável o fato de os neozelandeses
terem alcançado um patamar tão alto de desenvolvimento sem abandonar a
consciência ecológica, exatamente o contrário do que fizeram seus
colonizadores, os ingleses. De norte a sul, é possível encontrar as
mesmas paisagens com que se deparou, em 1642, o navegador holandês Abel
Tasman, o primeiro sortudo a pisar na Nova Zelândia.
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